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Presidente do CPP visita comunidades pesqueiras em conflito

Comunidades pesqueiras do norte de Minas Gerais enfrentam graves conflitos fundiários que ameaçam a vida dos pescadores.

 

 

07-12-2017
Fonte: 

Assessoria de Comunicação do CPP

Comunidades expulsas de seus territórios, casas derrubadas, violência policial e de jagunços. Situações como essas têm se intensificado no nIlha da Esperança alagadaorte de Minas Gerais e tem colocado a vida de  várias comunidades pesqueiras em risco.

Para conhecer um pouco mais dessa realidade é que o Presidente do Conselho Pastoral dos Pescadores e bispo de Brejo (MA), D. José Valdeci, junto com a Secretária Executiva do CPP Nacional, Ormezita Barbosa e outros membros do Conselho Pastoral dos Pescadores, estiveram entre os dias 28 e 30 de novembro visitando as comunidades pesqueiras de Canabrava, no município de Buritizeiro e Caraíbas, no município de Pedras de Maria da Cruz, ambas em Minas Gerais.  O objetivo da visita foi conhecer a realidade vivida pelas comunidades para pensar formas de resistência que assegurem a permanência dos pescadores e pescadoras nos seus territórios.

Acompanhados pela agente de pastoral da região, Ir. Neusa Francisco,  os membros do CPP tiveram a oportunidade de conversar com os pescadores e pescadoras artesanais que expuseram todas as violências enfrentadas e as dificuldades para se manterem nos seus territórios.

A comunidade de Canabrava, que desde o mês de agosto tem sofrido com uma serie de despejos, no momento se encontra acampada entre a Ilha da Esperança e a margem do rio São Francisco oposta ao local onde se encontrava o seu território tradicional. Um processo de criminalização tem ameaçado agentes do Conselho Pastoral dos Pescadores e o pescador de Canabrava, Edmar Gomes da Silva. A cheia do rio tem inundado a ilha e deixado a comunidade ainda mais vulnerável.

D. Valdeci celebra missa na comunidade de Canabrava (MG)"Como viver dentro de um alagamento desse? É difícil! A gente está lutando é pelo direito da gente! Nós não quer terra pra gente destruir, nós queremos terra para plantar, nós queremos terra para conservar pra nós comer e os outros também. Não queremos enriquecer não", reivindicou o pescador de Canabrava, Edmar Gomes da Silva.

Para D. José Valdeci a visita à comunidade de Canabrava foi muito importante para perceber a resistência e perseverança do povo. "Apesar de tantos problemas, do despejo, apesar de percebermos tantas injustiças, o povo resiste! A gente percebe essa força, essa resistência, essa coragem".

Para o bispo outro elemento importante dentro da resistência da comunidade é a fé. "A gente percebe também essa atitude de fé. Nossa Senhora Aparecida, como mãe, como padroeira do Brasil, que acompanha também essa comunidade. A religiosidade popular é essa força presente na caminhada da comunidade", aponta D. Valdeci. 

D. Valdeci defende também um engajamento da Igreja e da sociedade como um todo para dar apoio à comunidade de Canabrava. "A gente percebe que eles não querem nada mais do que viver. E se quer viver, então é importante o nosso apoio como igreja, o nosso apoio como comunidade, o nosso testemunho junto a todos aqueles e aquelas que estão lutando".

Em Caraíbas, o bispo visitou a família de Gildésio Gonzaga dos Santos, que teve a casa destruída em maio desse ano, devido a uma  decisão judicial de reintegração de posse equivocada, emitida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A decisão judicial ignorava que a comunidade tem o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS) da área e por isso não pode ser despejada de terras da União. D. José Valdeci foi apresentado a história do surgimento e resistência da comunidade. Também conheceu a história da reconstrução da casa de Gildésio feita pela comunidade em mutirão.

D. Valdeci também celebrou missas nas comunidades de Canabrava e Caraíbas.

D. José Moreira da Silva e D. José Valdeci conversam sobre os conflitos nas comunidades pesqueirasVisita aos bispos

Durante a passagem por Minas Gerais, D. José Valdeci visitou os bispos Dom José Moreira da Silva, da Diocese de Januária (MG) e Dom José Alberto Moura, da Diocese de Montes Claros (MG) para falar um pouco mais dos trabalhos desenvolvidos pelo Conselho Pastoral dos Pescadores na região e explicar a grave situação de conflitos em que as comunidades se encontram.

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