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Levantamento feito pelo CPP Ceará/Piauí aponta vulnerabilidade das comunidades pesqueiras diante do COVID-19

Num dos estados com mais casos de COVID-19, a dificuldade de acesso às unidades básicas de saúde em conjunto com as consequências do derramamento de óleo em 2019 coloca as comunidades em situação de dupla vulnerabilidade. 

 

 

19-05-2020
Fonte: 

Assessoria de Comunicação do CPP Nacional

Um levantamento realizado pelo regional do CPP Ceará/Piauí, no mês de abril, em 17 comunidades pesqueiras acompanhadas pela Pastoral dos Pescadores nos dois estados, detecta o grande risco de saúde e o impacto sócioeconômico em que se encontram as comunidades pesqueiras do nordeste. Apesar da amostragem pequena, a pesquisa revela uma realidade que pode ser detectada em várias outras comunidades pelo país. O levantamento foi realizado em 11 comunidades localizadas em 7 municípios do Ceará e 6 comunidades localizadas em 2 municípios piauienses. Os dados coletados no período apontam para o nível de vulnerabilidade das comunidades pesqueiras que estão ameaçadas pelo Coronavírus, sem terem equipamentos de segurança, como máscaras e álcool gel  e com dificuldades de acesso às unidades básicas de saúde.

Outro fator que aumenta ainda mais a vulnerabilidade socioeconômica é o impacto do petróleo cru que atingiu as comunidades pesqueiras no final de 2019, prejudicando a vendagem de pescado em 13 das 17 comunidades pesquisadas. Após os prejuízos financeiros daquele momento, as restrições de pesca e de venda ocasionadas pelo Coronavírus, deixaram as comunidades numa situação de vulnerabilidade social ainda maior, tanto na questão da saúde quanto nos impactos socioeconômicos.

Segundo o documento, "esta situação referente a comercialização obrigou muitas comunidades (09 - 53%) a  diminuírem e/ou interromperem a pesca de forma voluntária, pela impossibilidade de venda. Em 94% das comunidades já há famílias com dificuldades de comprar alimentos. Soma-se a isso, que com a suspensão das aulas, em 82% das comunidades há famílias com dificuldades de alimentar os filhos por falta da merenda escolar. Também a situação se agrava, pois em 41% das comunidades há famílias onde o Bolsa família tem atrasado e, em 71% das comunidades há pescadores que não receberam o Seguro Defeso, que deveria ter sido pago entre novembro e março". 

O documento também faz um levantamento do que as comunidades têm feito para enfrentar a pandemia. A maioria das comunidades (82%) adotou o isolamento voluntário como medida preventiva e protetiva. Os pescadores artesanais continuaram, no entanto, pescando e se dirigido a instituições fora da comunidade em busca de auxílio. A incidência sobre os órgãos públicos para cobrar as medidas e apoios necessários estão sendo realizadas pela maioria das comunidades: 12 ou 71 %. Para estas incidências algumas comunidades têm usado as ferramentas virtuais para realização de vídeo conferências, formalização das situações enfrentadas e demandas na perspectiva de dar visibilidade e cobrar ações junto aos espaços institucionais.

Para acessar o documento na íntegra, basta clicar aqui.

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