Campanha "Nem um Poço a Mais!"

Campanha Nem um poço a mais“Nem um Poço a Mais!”, o apelo de pescadores e quilombolas contra a expansão petroleira

A complexificação dos investimentos em estruturas de grande porte ligados ao Pré-sal, como poços, dutos, portos e estaleiros – e, no rastro destes, os projetos de mineração, logística, energia, etc -, tem gerado um acirramento sem precedentes dos conflitos nos territórios pesqueiros e quilombolas costeiros.

Segundo a Secretaria de Estado de Economia e Planejamento do Espirito Santo, entre 2013 e 2018 estão previstos aportes de R$ 45,5 bilhões em projetos de extração de petróleo e gás no Estado, R$ 11,6 bilhões em mineração e R$ 8,9 bilhões em produção de produtos químicos. Enquanto atividades de atenção à saúde humana devem receber cerca de R$ 794 milhões no mesmo período. Aliada aos projetos industriais de papel e celulose, cujos eucaliptais vêm tomando territórios tradicionais desde a década de 1970, a cadeia produtiva da indústria petroleira não apenas inviabiliza a permanência das populações em suas atividades, como traz consigo um rastro de violência (remoções e despejos, estupros, tráfico de drogas, desestruturação familiar, etc), doenças (câncer, intoxicações, problemas respiratórios), insegurança alimentar, degradação ambiental e precarização das relações de trabalho, entre outros, denunciaram quilombolas e pescadores.

A situação é similar em todos os estados representados no encontro, que marcou o início da campanha, entre os dias 26 e 28 de junho de 2015, em Vila Velha (ES). Representantes de comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, junto com ativistas antipetroleiros e representantes de grupos impactados pela indústria petroleira e petroquímica, realizaram um encontro para discutir ações frente aos crescentes impactos da expansão petroleira sobre territórios tradicionais terrestres e marinhos.

“Tudo que a gente tem, eles querem”, explica a marisqueira e líder quilombola Eliete Paraguassu, moradora da Ilha de Maré, na Bahia. Segundo ela, os quilombolas da ilha convivem com problemas diversos causados por sete poços de petróleo terrestres e sete em seu território pesqueiro, além de sofrer os impactos do porto de Aratu e do estaleiro Paraguaçu (empreendimento das empreiteiras Odebrecht e OAS, falido depois da Operação Lava Jato). “Já basta! Não vamos permitir que essa situação continue piorando indefinidamente”, afirma Paraguassu.

Diante deste quadro, os representantes de comunidades e movimentos quilombolas e de pescadores artesanais reunidos em Vitória lançaram a Campanha Nem um Poço a Mais!, cujo objetivo é frear a expansão petroleira sobre seus territórios. “Estamos lançado esta campanha a partir das nossas realidades, vidas e quereres. É dos nossos territórios, onde vivenciamos toda a violência da cadeia produtiva petroleira, que se construirá a nossa luta”, afirmam em carta elaborado ao final do encontro. “Exigimos ser considerados em nossa soberania e direito de autodeterminar nossos futuros”, finaliza o documento.

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